Em meio a demissões e reencontros com velhos amigos, recebi uma notícia que me gelou. Atônito é a palavra mais sutil para a minha reação no momento que ouvi que um dos meus melhores amigos descobriu-se soropositivo. Não obstante o turbilhão de emoções que meu amigo passou, um cara que ele julgava ser seu amigo mais fiel o negou ajuda em um momento tão difícil. Não bastou tomar esse baque aos vinte e poucos anos, ainda teve o direito a sobrevida negado por um dos melhores amigos.
Quando o encontrei pessoalmente, instantaneamente, ele me disse: “Eu vi a morte, e ela estava viva”. A frase de Cazuza se encaixou perfeitamente naquele momento. Engoli seco. Ele não sabe que estou ciente que ele é soropositivo. Dei um abraço forte, como quem diz: Olha, eu tô aqui, ok?! Se precisar é só chamar.
Não me impactou tanto a notícia da doença. Todos estão aptos a adquirir o HIV. O que me assustou foi a ignorância. O pânico dos seus “então amigos” se afastarem ao saber de sua doença. A ignorância mata. E está matando esse rapaz tão jovem e talentoso. Um exímio artista plástico que está se afundando em bebida, pois ninguém o quer por perto, como se fosse um leproso na época pré-cristã.
Quantos amigos precisarão morrer para que matemos o monstro do preconceito? Quem somos nós homossexuais para pré-julgar um soropositivo? Nós sofremos preconceito todos os dias! Na Tv, nos Jornais, na Política… Não temos o direito de expressar preconceito. Não temos direito de separar soropositivos, barbies, ursos, ativos, passivos e etc. Estamos todos no mesmo barco. E no que tange a soropositivos, a AIDS não escolhe Homossexuais, Heterossexuais, Travestis, Bissexuais, Transexuais ou qualquer outro formato ou padrão de orientação sexual. O índice de mulheres heterossexuais infectadas com o HIV é assustadoramente crescente. O HIV não é mais o “Câncer Gay”.
De nada adianta fazer políticas públicas de combate ao HIV/Aids se tudo isso servir de combate aos Soropositivos. Não é pra mitificar soropositivos. É para se amar os soropositivos. O que os faz morrer não é a doença, é a falta de informação.
Dia 11 de outubro, foi uma data histórica para a comunidade Bear de Salvador…
Pela primeira vez, em muito tempo, tivemos uma festa especialmente dedicada a cena bear local. A BearBeats, que escolheu o Pier Sul - em Ondina, como sede oficial - fez sucesso entre os ursos soteropolitanos. Foi uma grande oportunidade para confraternização, com muita música bombando nas caixas conduzidas pelo DJ Oliver Jack, e vários corpos rechonchudos sacudindo no salão, e o que é melhor, tornando mais expressiva a cultura bear por aqui.
A segunda edição rola no dia 8 de Novembro…Imperdível!
Evento reúne 1,5 milhão de participantes.
A 13ª Parada do Orgulho LGBT do Rio de Janeiro lotou a praia de Copacabana, principal ponto turístico carioca, neste domingo sacro. Em meio a eventos esportivos e manifestações religiosas, a Parada se mostrou mais madura e bem organizada. Forte policiamento, estrutura impecável e muita música para animar os estimados 1,5 milhão de participantes dessa grande festa da diversidade.
No início da festa, após a execução do Hino Nacional Brasileiro por uma performer, o Governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, discursou de maneira inflamada em favor das Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais do Brasil, manifestando sua indignação com o descaso como esse grupo tão representativo na sociedade é marginalizado. Logo após seu discurso, de aproximadamente dez minutos, foi a vez do Ministro do Meio Ambiente, o carioca Carlos Minc, proclamar a repulsa a homofobia. Depois disso, só festa.
Os ursos cariocas e seus convidados se posicionaram na esquina da Avenida Atlântica com a Rua Bolivar, não utilizando nenhum carro de som ou bloco para se deslocar pelos postos da Orla Carioca. Muitos ainda reclamavam da falta da diversidade sonora do ambiente, uma vez que o House era o ritmo que ditava a marcha rumo ao Leme. Muitos casais se formando, bandeiras em tons terrosos e amigos se encontrando. Esse foi o clima do Bloco dos Ursos na Parada. Impossível sair sem ao menos conhecer alguém interessante, ou se divertir com os comentários alheios. O clima saudável imperou nesse segmento da Parada, deixando orgulhoso quem temia qualquer vexame.
Nesse clima político misturado com flerte, todos seguiram calmamente, sem incidentes graves, para o Leme, onde foi o ponto final da festa, que encerrou-se às 22h, após 7h de festa. O saldo da Parada, que pedia a Criminalização da Homofobia, através da PLC 122/06, foi positivo. Além das milhares de assinaturas conquistadas em Trios Elétricos que disponibilizavam computadores ligados a Internet para aclamar o Congresso Nacional pelo site oficial da Parada LGBT, a Parada mostrou visibilidade e respeito ao próximo.
O site para quem quiser contribuir, e alcançar o mais rápido possível o número necessário de assinaturas é www.naohomofobia.com.br
Se você nunca ouvir falar no Allan Moore, ou nunca leu Watchmen… Eu te recomendo correr até a bookstore mais próxima!
Gosta de ursos?
Então deixe isso bem claro para quem quiser saber!
Bearshout é o novo ponto de encontro, roteiro para as festas e viagens, guia para uma vida ursina cheia de atitude e muito além do básico!